Drex e DePix: O Que Muda Para a Sua Privacidade
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Drex e DePix: O Que Muda Para a Sua Privacidade

Depix.Online Publicado em 28 de julho de 2026 10 min de leitura

Os dois valem R$ 1,00 e a semelhança termina aí. Um é estatal, permissionado e ainda não saiu do papel. O outro já circula, com valores confidenciais e a chave na sua mão.

Dois “reais digitais” disputam o futuro do dinheiro no Brasil. Um é o Drex, moeda digital do Banco Central, construída sobre uma rede permissionada em que as instituições participantes validam as transações. O outro é o DePix, stablecoin privada lastreada 1:1 no Real, que circula na Liquid Network com valores confidenciais e chaves sob a guarda do usuário.

O Drex ainda não existe como produto

Não dá para “usar Drex” hoje, nem comparar experiências de uso. O projeto segue em desenvolvimento, e a própria página oficial do Banco Central descreve o sistema no tempo futuro. Qualquer comparação honesta precisa partir daí: de um lado uma arquitetura em construção, do outro um ativo em circulação.

O Que É o Drex

O Drex é a CBDC brasileira, sigla em inglês para moeda digital de banco central. Em termos simples, é o Real emitido pelo Banco Central em formato digital, rodando sobre uma rede permissionada, isto é, uma infraestrutura em que apenas participantes autorizados operam os nós e validam transações.

  • Emissão estatal, pelo Banco Central
  • Distribuição pelos bancos: o acesso do cidadão se dá através de uma instituição financeira
  • Rede fechada, com validação restrita a participantes autorizados
  • Programabilidade: a arquitetura prevê contratos que embutem regras nas operações
  • Identidade vinculada: o acesso passa por uma instituição, com o titular identificado

O Drex não é “cripto” no sentido corrente do termo. É o sistema financeiro tradicional reconstruído sobre tecnologia de registro distribuído, com as garantias e também com as características de controle que isso implica.

O Que Aconteceu no Piloto

O Banco Central desligou a plataforma usada na segunda fase do piloto, construída sobre Hyperledger Besu, e a terceira fase começou com a definição de uma nova base tecnológica.

O motivo apontado foi justamente a dificuldade de conciliar duas exigências que puxam em direções opostas: a transparência inerente a um registro distribuído e a necessidade de preservar sigilo sobre os dados de cada participante. O Banco Central afirma que o sigilo bancário será mantido e que não haverá rastreamento individual de gastos.

O Que É o DePix

O DePix é uma stablecoin brasileira lastreada 1:1 no Real que circula na Liquid Network, uma sidechain do Bitcoin operada por uma federação de empresas do setor.

  • 1 DePix vale sempre R$ 1,00, sem volatilidade
  • Autocustódia: as chaves ficam no seu dispositivo, em carteiras como Blockstream Green ou SideSwap
  • Confidential Transactions: o valor e o tipo de ativo movimentado ficam ocultos por padrão
  • Rede aberta: qualquer pessoa transaciona sem pedir autorização
  • Rampa identificada: a compra e a venda em Real passam por verificação de documento

Se você ainda não conhece o ativo, o guia completo sobre o que é DePix cobre o funcionamento em detalhe.

A Diferença Que Realmente Importa

Deixando a tecnologia de lado por um instante, a pergunta central é uma só: quando você tem R$ 1.000, quem decide o que pode ser feito com esse dinheiro?

Drex e DePix lado a lado

Aspecto Drex DePix
Situação Em desenvolvimento, sem lançamento Em operação
Emissor Banco Central Emissor privado, com lastro em Real
Rede Permissionada, base técnica em definição Liquid Network, aberta
Custódia Prevista via instituições financeiras Sua, pela chave privada
Privacidade na circulação Modelo ainda em definição Valor e ativo confidenciais
Programabilidade Prevista na arquitetura Não se aplica ao saldo do usuário
Acesso Através de instituição autorizada Qualquer carteira Liquid
Reversão Regras do sistema financeiro Não existe, a transação é definitiva

A Questão da Programabilidade

“Dinheiro programável” soa como modernização, e em muitos casos é: liberação automática de parcela mediante entrega, garantia que se executa sozinha, repasse condicionado a comprovação. Aplicações legítimas e úteis.

A mesma capacidade técnica, porém, admite usos de outra natureza: saldo com prazo de validade, valor restrito a determinada categoria de gasto, bloqueio condicionado a alguma pendência. Esses cenários aparecem em discussões públicas sobre CBDCs em vários países.

Confiar ou não precisar confiar

Afirmar que o Banco Central vai fazer isso é especulação, e o BC declarou o contrário. Uma arquitetura que permite essas operações depende de política para não usá-las, enquanto uma arquitetura que não as permite não depende de promessa nenhuma. É uma diferença entre confiar e não precisar confiar.

No DePix, o saldo é uma entrada na blockchain controlada por uma chave privada. Não existe mecanismo para terceiro programar, vencer ou condicionar esse saldo, porque não existe terceiro no caminho.

Como a Privacidade do DePix Funciona

Confidential Transactions

Na Liquid, os valores são criptografados por padrão. Um observador externo consegue ver que houve uma transação e consegue verificar que ela é válida, mas não vê quanto foi transferido nem qual ativo. Vale comparar os três modelos:

  • Bitcoin: endereços pseudônimos, mas valores integralmente públicos e permanentes
  • Sistema bancário: identidade e valores conhecidos pela instituição e pelas contrapartes
  • DePix na Liquid: valores ocultos, sem identidade vinculada às transferências entre carteiras

Onde a Privacidade Começa e Onde Termina

O modelo do DePix é identificado nas pontas e confidencial no meio:

  • Na rampa, comprando ou vendendo Real, existe verificação de documento e as operações entram nos registros que a lei exige
  • Na circulação, entre carteiras Liquid, as transferências são confidenciais quanto a valor e ativo

É basicamente como funciona o dinheiro em espécie: você se identifica ao sacar no banco, e depois não precisa reportar cada compra feita com aquelas notas. Não é uma brecha, é um modelo conhecido e antigo.

Criptoativos são legais no Brasil desde a Lei 14.478/2022, que estabeleceu o marco para prestadoras de serviços de ativos virtuais. A regulamentação infralegal veio com as Resoluções BCB 519, 520 e 521, de 2025, em vigor desde 2 de fevereiro de 2026.

Quem já operava tem até 30 de outubro de 2026 para protocolar o pedido de autorização junto ao Banco Central, podendo continuar operando nesse intervalo desde que não amplie sua atuação. Como esse prazo segue aberto, nenhuma prestadora concluiu o processo, então desconfie de qualquer plataforma que hoje se anuncie como “autorizada pelo BC”.

Do lado fiscal, a antiga IN 1888/2019 foi revogada e substituída pela IN RFB 2.291/2025, que criou a DeCripto seguindo o padrão CARF da OCDE. Desde 1º de julho de 2026, quem opera sem intermediário acima de R$ 35 mil por mês tem obrigação mensal de reporte. O guia de declaração de DePix detalha o que isso significa na prática.

E a Obrigatoriedade do Drex

Não existe obrigatoriedade, até porque não existe produto lançado. O que se pode observar em outros países é um padrão de adoção: primeiro opcional, depois incentivado. Se isso vai se repetir aqui, ninguém sabe. O que dá para fazer é conhecer as alternativas antes de precisar delas.

Quando Cada Um Faz Sentido

PIX, e no futuro o Drex, resolvem bem

  • Pagamentos do dia a dia, em que privacidade não é uma preocupação
  • Recebimentos formais, com nota fiscal e contrapartida documentada
  • Qualquer interação com órgãos públicos
  • Situações em que você quer a proteção do estorno

DePix resolve bem

  • Guardar valor fora do sistema bancário, sem assumir volatilidade
  • Pagar terceiros sem expor seus dados a quem recebe
  • Receber cripto do exterior e converter em Real estável
  • Reduzir dependência de uma única instituição financeira
  • Manter uma reserva que não depende de aprovação de ninguém

Como Começar com DePix

O processo leva menos de dez minutos de esforço real:

  1. Crie a carteira Liquid na Blockstream Green, gratuita, anotando as 12 palavras em papel
  2. Verifique seu CPF ou CNPJ enviando R$ 1 por PIX para a chave da Depix.Online, uma única vez
  3. Faça a primeira compra, limitada a R$ 500, informando documento, endereço da carteira e valor
  4. Pague o QR Code PIX gerado pela plataforma
  5. Aguarde a liberação de 24 horas da primeira ordem
  6. Siga no fluxo normal, com limites de R$ 1.500 e depois R$ 5.000

As taxas de compra vão de 10% + R$ 0,99 nos valores menores a 1,5% + R$ 0,99 acima de R$ 3.500. Para voltar ao Real, você vende DePix para qualquer chave PIX, até R$ 6.000 por transação, sem necessidade de verificação, com taxas de 3% a 5% conforme o valor.

Conclusão

O Drex e o DePix partem de premissas opostas. Um concentra a infraestrutura em instituições autorizadas e depende de política pública para definir os limites do que será visível e do que será programável. O outro distribui o controle e resolve a questão na própria arquitetura, ao custo de transferir para você a responsabilidade pela chave.

Não é preciso demonizar o Drex para defender o DePix. Basta observar que um deles ainda está sendo desenhado, com uma tensão real entre transparência e sigilo que levou o próprio Banco Central a reiniciar a base técnica do piloto, enquanto o outro já funciona hoje com uma resposta pronta para essa pergunta.

Os dois valem R$ 1,00. O que muda é quanto de confiança em terceiros cada um exige de você. Se quiser experimentar o segundo modelo, comece pequeno pela Depix.Online e leia antes sobre como funciona a segurança da plataforma e sobre a rede Liquid.

Este conteúdo é educativo e informativo e não constitui aconselhamento financeiro, jurídico ou de investimento. Ativos digitais envolvem riscos.